Algumas imagens parecem ter som. A arte de “Lado A, Lado B”, criada pelo ilustrador Pevê Azevedo, é uma delas.
No centro da composição, dois músicos tocam cordas enquanto instrumentos de sopro e percussão se espalham pela cena. Trompetes, saxofones, pandeiros, um teclado e um microfone surgem entre cores intensas e formas em movimento, como se a imagem estivesse no meio de uma jam session.

O resultado é uma cena vibrante que parece acompanhar o ritmo de uma música — cheia de energia, improviso e pequenos detalhes que surgem conforme o olhar percorre a imagem.
De Sobral ao universo da ilustração
Pevê Azevedo nasceu em Sobral, no interior do Ceará. Desde pequeno foi fascinado por dois universos que moldaram sua imaginação: as histórias em quadrinhos e os desenhos animados.
Foi ali que surgiu seu gosto por cores fortes, personagens expressivos e composições cheias de movimento — características que continuam presentes em seu trabalho hoje.
Mais tarde, mudou-se para Fortaleza, onde cursou Publicidade e começou a trabalhar como designer em agências. Durante cerca de dez anos, atuou na área de design até decidir seguir um caminho mais autoral.
Foi então que se mudou para São Paulo, onde passou a se dedicar integralmente à ilustração — atividade que exerce profissionalmente há cerca de seis anos.
Música como motor criativo
Se existe algo que acompanha o processo criativo de Pevê, é a música.
O artista costuma trabalhar sempre com fones de ouvido, deixando que o ritmo das músicas conduza a energia do desenho. Ao longo da vida, também participou de duas bandas — uma de hardcore e outra de pagode, experiências que reforçaram ainda mais essa relação entre som e imagem.
Essa conexão foi justamente o ponto de partida para a criação da arte de “Lado A, Lado B”.
A ilustração funciona quase como um ensaio visual: instrumentos se sobrepõem, personagens surgem em diálogo e a cena inteira parece pulsar no ritmo de uma música imaginária.
Amora, presença constante
Entre as referências que aparecem no trabalho de Pevê, há também um elemento muito pessoal: Amora, sua vira-lata caramelo.
Companheira inseparável há cinco anos, ela costuma acompanhar o artista enquanto ele desenha — e muitas vezes acaba entrando nas próprias ilustrações.
Em “Lado A, Lado B”, Amora aparece no topo da composição, observando a cena musical como quem acompanha atentamente o ensaio.
Uma imagem que se revela em camadas
A composição do quebra-cabeça lembra a experiência de ouvir um disco.
À primeira vista, percebemos a energia geral da cena: músicos tocando, instrumentos surgindo em diferentes direções e cores intensas que parecem irradiar movimento.
Mas, conforme o olhar se aproxima, surgem novos elementos: detalhes escondidos entre os instrumentos, gestos dos personagens, pequenas surpresas espalhadas pela imagem.
Ao montar este quebra-cabeça de 1000 peças, a experiência se aproxima de escutar uma música com atenção — peça por peça, a cena se organiza e revela suas histórias.
Uma trilha sonora para acompanhar a montagem
Para acompanhar a experiência do quebra-cabeça, Pevê também inspirou uma playlist criada em parceria com a Dear Friends.
A seleção mistura grooves instrumentais e sons contemporâneos, criando uma atmosfera leve e improvisada — como uma jam session entre amigos.
São músicas que acompanham o ritmo da montagem e transformam o momento em uma pausa cheia de energia.
Você pode ouvir a playlist aqui.